sexta-feira, 24 de março de 2017

O que é, então, superficialidade?





 
Existe, em mim, uma dificuldade gigantesca de me apegar a conceitos. Eu aprendo tudo com muita velocidade, mas, da mesma forma, apago as informações à medida que não mais preciso utilizá-las.

O mais absoluto desinteresse em conceitos faz com que eu não tenha certezas absolutas e, na grande maioria das vezes, impede que eu me posicione em relação às divergências – confesso, não raro acho que ambos os lados têm ótimos argumentos.

Por muito tempo eu me calei ou me senti ignorante, porque, para opinar sem ser considerada uma hipócrita intelectual, era necessário que eu conhecesse profundamente todas as teses e pesquisas sobre o assunto.

Isso me incomodou por muito tempo. Eu me sentia superficial e, algumas vezes, até mesmo ignorante.

Até que eu percebi: nenhum dos conflitos é, de fato, profundo o suficiente. São rasos. Pura alegoria. Pura distração.

Discussões, disputas e certezas absolutas. Polarização. Dualidade. Segregação.

Mas no meio disso, no profundo silêncio do ser, somos todos filhos da terra e estamos de mãos dadas. Essa é a verdade e ela simplesmente não precisa de defesa.

Por que, então, insistimos em nos conectar ao externo com tanto afinco, com tanta determinação? Por que preferimos voltar a nossa atenção à defesa de certezas que sequer sabemos verdadeiras?

Penso que seja por medo de ver o que eu sempre vi: o vazio que é só meu, que só eu acesso, que só a mim serve.

Hoje eu sou grata por não ter a capacidade de me envolver emocionalmente, nem energeticamente, com a grande maioria das situações que acontecem.

Não escolher um lado para defender permite que eu me coloque na posição das partes sem envolvimento e consiga compreender os pontos de vista, respeitar os níveis de consciência e encontrar algumas lições disponíveis naquele aprendizado.

Sou a coluna do meio do jogo do bicho e – hoje sei - isso não significa que eu seja ignorante. Significa, apenas, que eu dissolvo a barreira densa das discussões e me posiciono no centro, como um ímã, servindo de âncora à luz, colocando o coração a serviço e trazendo equilíbrio às polarizações.

Talvez por isso eu tenha nascido com uma facilidade imensa de conciliação, harmonização, agregação, unificação.

Mais que isso, não focar no externo faz com que, obrigatoriamente, eu vá ao encontro do meu sentir e esse é o meu caminho, o meu aprendizado.

Deixar de lado a racionalização e imergir nas emoções.

Deixar de lado o barulho e encontrar o vazio que busca preenchimento.

Deixar de lado as expectativas alheias. Deixar de lado as opiniões. Deixar de lado as certezas. Deixar de lado a necessidade de agradar, de ser suficiente, de sentir reciprocidade.

Então, não, eu não vou ler mil teses. 

Vou, apenas, me conectar com o vazio: espaço em que, buscando a mim, encontro você, pois ele é a fusão do todo em cada um de nós.

Esse é o centro.

O resto é enredo.

 

3 comentários:

  1. Conecte-se com seu coração! É suficiente! O resto é enredo! Perfeito. Retornando à sua Mestria.

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  2. "O mundo tem diversos desafios e para cada um deles o coracao tem uma resposta - HeartMath Instute". "O silencio é a linguagem de Deus, o resto é traduçao Pobre - Rumi".

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  3. Serve muito bem ao mundo do Direto ahahah sei bem do que vc está falando. Que bom que vc já está em outra vibe! Beijos

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