sexta-feira, 8 de março de 2019

Pra ser feliz!




Li esses dias que não há limites para o desvelar de uma alma.

Isso sempre foi muito claro para mim. Profundamente curiosa (ou curiosamente profunda).

É sempre possível ir mais fundo. É sempre possível compreender mais.

Hoje é um dia que me traz profundas reflexões. As minhas lembranças fervilham a ponto de me catapultarem constantemente do momento presente.

Apesar de me sentir bastante constrangida em dizer isso, mas em homenagem à minha verdade, posso afirmar que, durante esses 38 anos de vida, grande parte das minhas memórias mais dolorosas de agressão não envolvem homens (elas existem, mas não são tão dolorosas).

Bullying na escola – não era um menino. Agressão física – não era um menino. Críticas maldosas e julgamentos – não era um menino. Inferiorização – não era um menino.

Em algum ponto dessa história eu escolhi não reverberar mais esse corpo de dor e desejei ter relacionamentos de valor. Precisei encontrar o meu próprio valor e me relacionar comigo.

Tomei decisões difíceis, até mesmo incompreensíveis. A dor era tão lancinante, que eu só dava o próximo passo. Nada mais era possível.

Ainda consigo senti-la. Seria tão bom ter recebido o meu próprio abraço naqueles momentos (que eu receba o meu abraço).

Fisicamente em pé, emocionalmente largada ao chão, fui sacudida por uma mão firme e uma voz decidida: daqui pra frente vamos juntos!

Fomos desfazendo os nossos nós e as nossas malas aos poucos. Caminhamos, nós dois, cada vez mais sozinhos, pois, aos poucos, o passado e as pessoas foram dispersando.

Era mais que suficiente. Um representava a cura do outro. Havia reciprocidade e respeito às glórias e aos tropeços um do outro.

O meu feminino só floresceu, quando o meu masculino se posicionou e estabeleceu limites.

O masculino dele só se equilibrou, quando o feminino teve livre passagem e expressão.

Hoje, vejo meu jardim florido, rodeado por divinas rosas e sagrados beija-flores. 

Pessoas que me tocam a alma e abrem a porta do meu coração, que respeitam e honram o meu caminhar, que escolhem me impulsionar em vez de me criticar, que optam pela transparência, pela gentileza e pela colaboração.

Vejo os seus rostos, sinto os seus cheiros, ouço as suas vozes, sinto os seus abraços.

Hoje escolho celebrar a mulher que eu sou, as minhas raízes profundas, a firmeza do meu caminhar, a pureza do meu coração e a minha capacidade de inspirar.

Sê feliz, mulher.

2 comentários:

  1. E a felicidade boa é a felicidade compartilhada, seja consigo, ou com os próximos. Sempre tem um "Ser" presente!

    Você é especialmente muito linda!

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