quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Harmonia dentro, harmonia fora





Todos desejamos ver mudanças. Alguns de nós desejam até mesmo promovê-las, mas  nos faltam instrumentos.

Não sabemos exatamente o que fazer. Sentimo-nos ignorantes frente aos mistérios da manifestação.

Como tudo o que há, isso também tem uma razão de ser. A tão almejada liberdade para ser, para criar, para manifestar, é (e só pode ser) fruto de uma profunda lapidação interna.

Estamos em uma escola, na qual o tempo – do qual tanto reclamamos – é nosso parceiro. Ele nos concede a graça de podermos nos arrepender dos nossos desejos, tantas vezes fundados no ego e nos instintos.

Imaginem como seria se todos os nossos desejos tivessem sido realizados? Quantos deles teriam por base a vontade verdadeira da nossa alma e quantos teriam por base a nossa criança pirracenta, os desejos do nosso eu inferior?

Isso significa que tudo o que existe em nossas vidas é fruto de muita disciplina, de muita sustentação energética – consciente ou inconsciente (via de regra inconsciente, criações do ego para justificar as crenças limitantes que permeiam a nossa vida). Nenhum casamento, de repente, acabou. Nenhum ano da escola, de repente, foi perdido.

Perceber como participamos ativamente das manifestações da nossa vida, sejam elas boas ou ruins, é um ponto crucial para a nossa mudança de comportamento. Aqui reside a chave da autorresponsabilidade, a nossa passagem para longe da terra da vitimização, que nos mantém reféns dos nossos vícios e padrões.

O trabalho do Eu Inferior é obrigatório para que conquistemos a liberdade.

Em uma das obras do Pathwork, “O Guia” menciona que existem dois princípios básicos, os mais básicos de todos, que regem tudo o que há no universo. São a ativação e a aceitação.

A ativação consiste na ação deliberada, princípio ativo masculino. O ato de criar, de reivindicar, de provocar e direcionar uma força para uma finalidade.

A aceitação, ou princípio ativo feminino, nada mais é que o entregar-se, permitir o fluir da força posta em movimento, esperar com paciência e confiança.

Ambos os princípios estão presentes em todos os homens e todas as mulheres e não existe desequilíbrio de uma energia, sem que haja o desequilíbrio da outra.

O não agir, o terceirizar responsabilidade, o medo da vida, o fugir à prestação de contas, a submissão às vontades dos outros. Desequilíbrio.

O não confiar, o não saber esperar, o imediatismo, a ansiedade, a contenção do fluxo outrora posto em movimento, impedindo a manifestação. Desequilíbrio.

Conta, “O Guia”, que em muitas vidas nós acionamos as energias por meio de impulsos de agressividade, de brutalidade, de medo, e causamos muita destruição.

Assim, em outra vida, a fim de voltarmos ao equilíbrio, retornamos ao planeta com um grave desequilíbrio no outro aspecto, extremamente submissos, com a nossa força ativa completamente contida.

Quantas vidas mais sustentaremos desequilíbrios?

Quantas vidas mais temeremos as nossas próprias criações?

Quantas vidas mais nos recusaremos a assumir a responsabilidade pelo desenrolar das nossas vidas?

Estaria, o nosso inconsciente, ainda imerso em tanto negativismo, em tanta agressividade, em tanta hostilidade, para que tenhamos tanto medo dos nossos impulsos criativos?

Quais são os elementos que compõem a nossa psique? Onde tem estado a nossa atenção? Em que temos focado o nosso pensamento? Quais são os nossos gatilhos? Quais são os nossos excessos? Quais os padrões que reproduzimos? Podemos estar seguros em nossas criações, ou ainda há o que ser visto, limpo, purificado?

Essa é a hora. Não há mais tempo.

Eis o trabalho com a nossa energia masculina: readquirir segurança para o uso deliberado de uma força para uma finalidade.

Eis o trabalho com a nossa energia feminina: ter paciência para sustentar a energia posta em movimento, confiando que seguirá o seu caminho legítimo até a conclusão, até a sua maturação, no tempo de Deus.

Os seres precisam ser capazes de autodeterminação, de reivindicar o seu direito de serem felizes. Nesse sentido, o equilíbrio dos princípios criativos (ativação e aceitação), corresponde a grande parte desse trabalho, que, seguramente, acontece por meio das nossas relações mais íntimas. É por meio delas traçamos o nosso caminho de transcendência da dualidade.

Observem e observem-se.

Que esta seja a vida em que escolhemos agir em amor (entendido como consciência da unidade), e não mais em padrões de desequilíbrio que se alternam vida após vida.

Para finalizar, alguns trechos do livro “Criando União”, de Eva Pierrakos e Judith Saly:

“(...)“E dois serão um” – essas palavras, tantas vezes ouvidas na cerimônia nupcial, referem-se a muito mais do que ao início da vida comum de duas pessoas. Trata-se de uma afirmação cósmica. “Dois” – a dualidade – é a condição básica da nossa existência na Terra, e “Um” é o estado de unidade do qual nos distanciamos e para o qual ansiamos voltar.
(...)
A transformação daquilo que, dentro de nós, é a causa da separação, da nossa incapacidade de ter um bom relacionamento e permitir que o amor flua sem entraves, é a meta do trabalho do caminho do relacionamento.
(...)
Nossa ânsia por uma união mais profunda no amor com o outro é irresistivelmente poderosa graças à sua importância cósmica. Aqui vemos a ligação entre a nossa vida individual e temporal e a realidade maior que nos engloba.
Lembrem-se de que todo o plano da evolução trata da união, da junção das consciências individuais, pois só assim é possível abrir mão da separatividade. A união com uma ideia abstrata, com um Deus intangível ou concebido como um processo cerebral, não é uma união verdadeira. Apenas o contato real de uma pessoa com outra estabelece, na personalidade como um todo, as condições que constituem os pré-requisitos da verdadeira união e unidade interiores. Portanto, esse impulso manifesta-se como uma grande força, atraindo uns para os outros, tornando a separação dolorosa e vazia. A força vital, portanto, é permeada desse impulso em direção aos outros, e também de prazer supremo. Vida e prazer são uma coisa só. A vida, o prazer, o contato com os outros, a união com os outros são a meta do plano cósmico.
(...)
Com a ativação deliberada do poder criativo no máximo de seu potencial, pois vocês já não temem a própria destrutividade e confiam nos poderes universais que levarão a cabo, no devido tempo, aquilo que, intencionalmente, colocaram em movimento, desaparece o medo de entregar-se a um poder maior do que o voluntarioso ego-eu, e assim surge a capacidade de amar.
(...)
O desejo de entregar-se à vida nunca representará um risco de empobrecimento.”


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Sob o olhar de Marte





Todos aqui já ouvimos a expressão: “a era dos gurus chegou ao fim”.

Isso significa que a energia que está acessando o planeta está movimentando as pessoas de tal forma, que não é mais possível não se responsabilizar pelo próprio caminho.

Durante anos consumimos literatura, cursos, workshops, terapias. Reflitam: quais deles trouxeram resultados práticos na vida de vocês? O que trouxe uma mudança verdadeira de hábitos? Quais dons despertaram e movimentaram?

Acredito que poucos. A nossa sede era passiva. Queríamos encher os nossos copos.

Eis que Marte se aproxima e exige movimento, agilidade. Traz consigo o elemento fogo e a energia masculina.

Era o empurrão que estávamos precisando.

E Marte nos diz: só fará sentido o que for fruto de genuína experiência e nos proporcionar verdadeiras tomadas de consciência, efetivamente alterando os nossos padrões de conduta. Tudo haverá que se converter em prática.

Lembra-nos dos atributos do raio azul: a pró-atividade, a liderança, a coragem, o ímpeto, a realização da vontade divina, a concretização.

Durante muitas vidas, essa energia nos fez guerreiros. Eis que, agora, faz-nos construtores.

Estamos, todos, sentindo a necessidade de trazer a teoria à prática, de ancorar o masculino realizador, que estabelece limites, que está no centro do seu poder, que age em firmeza amorosa, que faz planos, que traça objetivos e que efetivamente os persegue.

A sustentação das energias que banharão o planeta partirá de grupos organizados e coesos.

A construção da nova sociedade partirá das relações que, hoje, vivenciamos.

O kin103, vigente na data em que o texto foi escrito, diz: “Ofereço-me para cooperar com amor, a fim de compartilhar a abundância em meu coração.”

Na interpretação de Margareth Souza:
“Quando nos permitirmos viver nossa própria verdade com autenticidade, isso abre caminhos e oportunidades únicas para atuarmos em cooperação com os demais. Aquilo que você faz benéfica o coletivo? Essa é a nova ordem cósmica: agir individualmente e beneficiar coletivamente. Construir ou destruir está em suas mãos.”

Em Marte não há zona de conforto. Os seus ventos nos arrastarão até que coloquemos o nosso conhecimento em movimento, até que ofertemos ao outro as nossas experiências.

Um dia de cada vez, reconheça as suas virtudes e os seus valores.

Um dia de cada vez, alinhe o seu pensar, o seu falar e o seu agir.

Um dia de cada vez, resgate a sua dignidade e caminhe de cabeça erguida.

Um dia de cada vez, aja da forma mais correta, ainda que não seja a mais fácil.

Um dia de cada vez, seja o seu centro e o seu eixo.

Cada um de nós, um elo na corrente do bem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Seja a melhor célula do seu sistema!




Certo dia, por algum motivo, células do endométrio chegaram à cavidade abdominal.

As células locais as identificaram: eram antígenos! Células estranhas, invasoras.
A resposta do sistema imune foi imediata. Os macrófagos iniciaram o seu trabalho de eliminá-las completamente.

Alguns organismos, por razões desconhecidas, acabariam por poupá-las e acolhê-las, o que, a longo prazo, poderia incapacitar o útero, o órgão que lhes deu origem, por conta de uma endometriose.

Uma célula uterina não encontra função fora de seu ambiente. Além de não estar cumprindo a sua função de forma adequada, está trazendo desequilíbrio.

Cada órgão, cada célula, exerce uma função especial e indispensável ao todo. A sua forma de trabalhar em conjunto é, exatamente, dar o seu melhor onde está, fazendo o que sabe fazer melhor.

Assim como é no grande, é no pequeno. Assim como é em cima, é embaixo. Assim como é dentro, é fora. Lei Hermética da Correspondência.

Na Bíblia é possível encontrar analogia similar em Coríntios 12:

“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Porquanto, assim como o corpo é uma só unidade e possui muitos membros, e todos os membros do corpo, ainda que muitos, constituem um só organismo, assim também ocorre em relação a Cristo. Pois todos fomos batizados por um só espírito, a fim de sermos um só corpo; quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só espírito. Porque também o corpo  não é constituído apenas de um membro, mas de muitos. Se, porventura, o pé disser: “porque não sou mão, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. E, se a orelha reclamar: “porque não sou olho, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a capacidade de ouvir? Se o corpo todo fosse audição, onde estaria o olfato? Em verdade, Deus pôs cada um dos membros segundo a Sua vontade. E. se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Sendo assim, há muitos membros, mas um só corpo. O olho não pode ordenar à mão: “não tenho necessidade de ti!” Tampouco a cabeça pode declarar aos pés: “não preciso de vós!” (...) Desse modo, quando um membro sofre, todos os demais sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e, cada pessoa entre vós, individualmente, é membro desse corpo. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.”

Todos nós sabemos há quanto tempo esse texto foi escrito. Já faz 2.000 anos e, até hoje, não o assimilamos.

Há os que cuidam dos doentes. Há os que fazem caridade. Há os que recebem mensagens. Há os que propagam mensagens. Há os que se comprometeram a implementar novas formas de viver e se relacionar. Há os que elevam a vibração com a sua alegria e leveza. Há os que traduzem sentimentos através da dança, da música, da escrita.

Não existe peça alguma sem serventia e não existe caminho que não leve a Deus, ainda que seja no fundo de um poço.

Existe um trecho maravilhoso de Khalil Gibran, bastante propício: “Deus fez a Verdade com muitas portas para receber todo crente que nelas bater. Ele as abre para todos os que batem com a mão da fé.”

Eis a promessa do Criador: procure com zelo os seus melhores dons e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.

De nada adianta sorvermos conhecimento, se continuarmos agindo com ignorância. Consciência precisa andar de mãos dadas com a reforma íntima.

Essa é a mudança de comportamento que gostaríamos de propor para esse início de ano: deixe de se comportar como uma célula invasora e também deixe de se comportar como uma célula de defesa.

Abandone a luta. Abandone o julgamento. Abandone o hábito de se comparar.

Em vez disso, seja a melhor célula do seu sistema, dê 100% de si em tudo o que fizer e encontre prazer no caminhar.

Onde estamos ninguém pode fazer melhor que nós. E se não o fizermos, quem fará?

Como disse, certa vez, o meu amado Luis Fernando Rostworowski, alinhe o “como” (a forma de caminhar), que o “o que” (o propósito) se manifestará a todo momento.

Como?

Divino Equilíbrio - Reunião SOTR 24.01.2019




Reúnem-se, aqui, almas com as quais temos nos relacionado por muitas vidas.
Almas que foram atraídas para este movimento sem saber o porquê e sem questioná-lo.

Apenas vieram e se entregaram.

Entrega é o maior salto que pode ser dado por um ser humano e nós nos curvamos a cada um de vocês por isso.

Vemos cada um ocupando lindamente o seu lugar, movimentando a sua divindade com doçura entre os demais, respeitando, honrando e sustentando as energias que se colocam a nossa disposição a cada encontro.

Aqui não somos homens, nem mulheres. Não temos idade, nem corpo. Talvez assim também seja o Criador.

Dentro da natural limitação imposta pela realidade que escolhemos experimentar, casa tribo o compreendeu de uma forma e cada religião o descreveu de uma maneira.

Grande parte de nós, provenientes de famílias católicas, recebeu em seus registros a imagem de um Deus Pai. Rígido, dominador, punidor, controlador, autoritário.

O meu pai não é assim. Existe, nele, uma incansável disposição em me ver feliz e o mais perto possível do abraço dele.  Não existe hierarquia, nem dominação – estou certa de que ele caminha ao meu lado.

O medo nos afastou de Deus, mas jamais o afastou de nós.

Como fazer, então, para diminuir essa distância? Como deixá-lo chegar mais perto? Como fazer para desconstruir a imagem que, por tantos séculos, foi atribuída ao nosso Criador?

Através da mãe seria um bom começo.

Aquela que guarda os nossos segredos com um sorriso maroto no rosto, que nos ensina sobre generosidade, sobre doação, sobre acolhimento. Aquela que confia cegamente na nossa bondade e na nossa capacidade de superação. Aquela que nos garante o pertencimento e nos mostra que para sermos amados, basta termos nascido.

Mas, convenhamos, comparar o Criador a um pai ou a uma mãe é por demais limitante, ainda mais se considerarmos que é da relação parental que surgem os mais profundos traumas que carregamos conosco.

Não, o Criador não pode ser compartimentado ou fragmentado.

Existe uma frase (que eu desconheço a origem) e diz mais ou menos assim: “E se eu te dissesse que a asa direita e a asa esquerda pertencem ao mesmo pássaro”?

O pássaro é Deus. Tudo, absolutamente tudo, está nele contido.

Assim, o tão falado ancoramento da Deusa não significa a partida de Deus, não é uma substituição.

Também não significa que apenas parte Dele esteve atenta a este Planeta desde os seus primórdios.

Não se trata de patriarcado e matriarcado.

Trata-se da ampliação da NOSSA percepção acerca do Criador, permitindo que ele se manifeste de forma integral. Trata-se de uma fusão que está acontecendo em todos os níveis da existência.

Tanto os homens, quanto as mulheres, desconhecem a sua verdadeira natureza. Foram milhares de anos de implantes, programações genéticas, imposições sociais e religiosas.

Agressores e agredidos. Violentos e violentados. Dominadores e subjugados. Fomos todos eles. Carregamos a herança dessas dores em nosso registro akáshico, em nossas células, em nossos campos.

Chega. Eu escolho assumir a minha divindade dentro desse movimento e trabalhar a cura do meu corpo emocional, em vez de alimentá-lo relação após relação, projetando-o no outro.

Não existe nenhuma pessoa aqui que não seja capaz e, portanto, responsável por reprogramar os papéis que representam em seu próprio ambiente.

A nossa cura e a nossa expansão são de nossa responsabilidade.

Há diversas ferramentas e esse grupo é apenas uma delas.

Enquanto os movimentos feministas operam (legitimamente) na fisicalidade, garantindo que homens e mulheres tenham isonomia de direitos; os grupos de Sagrado Feminino e de Sagrado Masculino florescem em outro nível para garantir que acessemos a nossa verdadeira natureza e os nossos verdadeiros valores.

As rosas e os beija-flores.

Então, o ato de convidarmos a energia feminina do Criador para ancorar na Terra, significa que reconhecemos que todas as polaridades pertencem ao mesmo espectro. Que por meio do nosso livre arbítrio, desejamos honrar o divino entrelaçar entre os atributos femininos e masculinos. Que nós mesmos podemos transitar livremente entre a firmeza e a complacência, entre o pulso e o colo, entre a atividade e a passividade. Significa que estaremos vigilantes à voz da culpa e à voz do julgamento.

Então, o Criador deixa de ser um conceito e passa a ser uma presença. A nossa presença.

Aqui nos posicionamos em receptividade, enchemos os nossos vasos e, então, preenchidos, agimos: levamos as nossas partículas de consciência expandidas em todos os passos que damos, alavancando pequenos e grandes movimentos em nosso entorno.

Finalizamos com Kryon:

“Pela sua magnificência no Planeta você será conhecido, que é você na cadeira, ouvindo hoje. Que tal isso? Pela sua magnificência em ser humano e passar por isso, você será conhecido. Não pelo que você faz enquanto estiver aqui.
A magnificência da velha alma será ampliada ainda mais por meio de ações compassivas. É para isso que você está aqui.
Então, se você quer mesmo uma meta, eu darei a você: ação compassiva. Viva como um mestre.
(...)
Nesta vida e em outras que vocês viverão, por sua magnificência, vocês serão conhecidos como aqueles que criaram a paz na Terra e eventualmente a levaram para a ascensão.”

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

2018 foram muitos



2018 foi, literalmente, mais que um ano. 

Foram vários. 

Foram vidas. 

Tudo se manifestou no agora, simultaneamente. 

Eu fui inúmeras de mim. 

Experimentei o amargo e o doce de mim. Experimentei o gosto do meu próprio julgamento. Experimentei a submissão ao poder que eu dei a algumas pessoas. 

Mas, sem dúvidas, a maior experiência foi com o medo. 

Pude perceber o incrível potencial de criação dos meus medos. 

Sim, eu os vi de frente mais uma vez. Especialmente, o medo de repetir o passado e o medo de perpetuar padrões sistêmicos. Ele havia colocado importante parte de mim para dormir: algo em mim não parecia vivo.  

Fragmentação. Desfragmentação. 

Também foi um ano de reencontros. Muitas eras dispostas a convergir, a resolver, a transmutar e a somar. 

Limpezas amorosas por meio da construção de novas relações, de novos laços. 

Tive a sorte e a honra de conviver com pessoas abertas à expansão, dispostas a enfrentar as próprias verdades, dando precioso espaço para o Universo trabalhar. 

Tantas relações nasceram e tantas outras se fortaleceram. Descobrimos novas maneiras de interagir, novas maneiras de servir, novas maneiras de nos expressarmos. 

Nem tão novos rumos, mas, certamente, caminhos mais claros e passos mais firmes. 

Levo comigo a boa e velha solitude. Aquela parte de mim que dá lugar ao vácuo, que permite um sutil distanciamento e onde acesso um verdadeiro turbilhão de informações em forma de energia (de difícil tradução). 

Hoje, o silêncio (em relação ao meu universo interior), que me acompanhou ao longo de boa parte desse ano, cede lugar à gratidão. 

Gratidão a tudo que me tirou a paz. 

Gratidão a tudo que moveu meu chão. 

Gratidão a todas as crises, a todas aa catarses, a todas as críticas,  todos os desentendimentos. 

Gratidão, pois me aproximou cada vez mais do meu centro, da minha essência e da pureza do meu coração.  

Na certeza de que nada sei. 

Na certeza de que a minha verdade só serve a mim. 

Na certeza de que estou dando o melhor que tenho. 

Desejo a mim e a você um 2019 de profundo amor próprio, de farta colheita e de doçura no caminhar.      

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Iemanjá e as águas das nossas emoções




Ouvi, esses dias, uma definição grega para a felicidade: um momento que você não deseja que acabe.

Os momentos que aqui vivemos passam a fazer parte de nós. Onde quer que estejamos, somos as flores e somos o fogo. Perfumamos e aquecemos. Embelezamos e transmutamos.

Aqui, nós experimentamos o prazer do compartilhar, o prazer do conectar, o prazer do acolher.

Mais que isso, comprovamos que a nossa força não está na nossa capacidade de construir muros em torno das nossas vergonhas e das nossas fraquezas; mas, sim, na aceitação da vulnerabilidade – inerente a todos os seres humanos.

Quando deixamos, do lado de fora da porta, os nossos sapatos, derrubamos também as nossas máscaras e abandonamos os nossos personagens. Então, nesta sala, damos o primeiro passo em direção à nossa verdade, encarando essa mandala florida e iluminada.

Fica claro, as vergonhas e os desequilíbrios que tanto escondemos (e que tanto nos isolam) são, apenas, parte do enredo.

Enredo que nos permite conhecer a fundo as dores e os pavores dos seres humanos, para que tenhamos empatia, para que aprendamos a curar o corpo de dentro para fora, para que sejamos compreensivos em relação às fraquezas e dificuldades, para que não subestimemos as emoções e as dores que às vezes nos assolam a ponto de nos imobilizar.

Assim, vida após vida, estamos passando por este processo, até que sejamos capazes de ser compreender a natureza dessa experiência e, então, transcendê-la.

Hoje, Iemanjá nos convida a conhecer as águas do nosso ser.

Água que flui com graça e gentileza, que parece se adaptar ao caminho que lhe é oferecido, mas que, silenciosamente, promove transformações profundas e irreversíveis.

Água que irrompe com força e determinação, que não pode ser contida, que não pode ser freada.

Água que lava, água que leva.

Permanente como as marés, impermanente como as chuvas.

Ora doce, ora salgada. Ora transparente, ora misteriosa. Ora calma, ora impetuosa.

Não por coincidência, a água é o elemento que rege as nossas emoções. Mais que isso, é um verdadeiro arquétipo: representa o contínuo fluxo da vida, o movimento como ordem.

Seja como for, em qualquer das suas formas, a água é sempre transformadora. Assim como ela desgasta as pedras, as nossas emoções nos lapidam.

Podemos observá-las, compreendê-las e acolhê-las. Permitiremos, assim, com a intimidade, que as nossas emoções sejam águas límpidas e gentis.

Podemos rejeitá-las, negligenciá-las, resisti-las. Criaremos, assim, uma potente onda em sentido oposto, que violentamente nos derrubará. Águas turvas cuja profundidade e conteúdo desconhecemos.

Qual será o ritmo das nossas águas? Qual a profundidade? Onde ainda estão turvas e nos deixam com medo de mergulhar? Qual será a dança que as nossas curvas preferem?

Que o ancoramento da terra e a força do fogo nos tornem capazes de ceder à fluidez das nossas águas e nos concedam um porto seguro para observá-las e conhecê-las.

Guiados por Iemanjá, que nos seja concedido acesso à nossa mente subconsciente, para que tomemos consciência dos programas e sistemas que constroem os nossos padrões repetitivos de conduta e que disparam os nossos gatilhos emocionais, tornando-nos caminhantes mais lúcidos e conscientes.

Salve Iemanjá.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Somos a boa nova





O canto especial da Irmandade nos traz de novo ao nosso ponto de partida: Jesus e Maria Madalena – que são, para nós, a representação mais familiar do equilíbrio divino.

Muitos de nós – senão todos – partilhamos experiências naqueles tempos. Ouvimos, extasiados, a boa nova. Dançamos em torno do fogo. Repartimos o pão.

Também fomos perseguidos, sentimos medo, questionamos.

Retornamos muitas vezes, sempre firmados nos mesmos propósitos: a libertação, o direito à plenitude, a manifestação do amor.

Nós assumimos o compromisso de elevar a raça humana por meio de cada corpo que aqui utilizamos. Foi um longo caminho.

Certa vez, em prantos, eu pedi a Jesus que colocasse em minha mente o olhar amoroso que, naqueles tempos, me resgatou de uma vida sem sentido.

Ele, então, disse: “esse olhar, hoje, é o seu”.

Percebam, hoje, nós somos a boa nova. Ela é viva e se manifesta. Ela pulsa.

Desde que mergulhamos na densidade, após a queda da Atlântida, talvez seja a primeira existência em que podemos nos reunir e nos manifestar livremente; em que estamos todos a serviço da paz e do bem.

Isso é a Irmandade da Rosa: a reunião de uma família.

A energia que aqui se manifesta é a da abertura, da amplitude, da acessibilidade, da disponibilidade.

Assim, expostos e vulneráveis, permitimos a mais pura conexão, pois somos essência – e, em essência, somos todos divinos.

Acolhemos a nossa divindade e a divindade do outro. Fazemos as pazes com as nossas escolhas e com as escolhas do outro.

Diferentes modos de caminhar guiados ao mesmo destino: a unificação.

Essa é a representação no centro da nossa mandala: o Um, o fluxo divino da vida, o ir e vir, o movimento, o infinito se manifestando no agora.

Nós somos o infinito se manifestando no agora.

Somos a nossa ancestralidade. Somos a nossa herança galáctica. Somos todas as linhas do tempo convergindo conscientemente e muito determinadamente para elevação de Gaia: nós a levaremos conosco neste salto, por isso temos retornado insistentemente e amorosamente para este orbe.

Nós somos a personificação das limpezas da nossa amada Mãe Terra. Filhos e Filhas da Terra a serviço de quem tanto lhe nutriu, a serviço de quem preparou e sustentou o palco para tantas existências e tantos aprendizados.

Então, no silêncio do nosso ser, que despenquem as máscaras, que se dissolvam as couraças, que desmoronem as verdades e os julgamentos; para que nos reconheçamos frutos da mesma árvore, portadores da mesma Luz da Vida.

Eis a Terra Prometida e eis, aqui, as crianças, os puros de coração.


Talita Rebello